Roberto Abraham Scaruffi

Tuesday, 17 August 2010

Posted: 16 Aug 2010 06:58 AM PDT
Fonte: Jornal de Angola
Actividade agrícola no Kwanza-Norte vai contar com a participação de refugiados congoleses e zambianos (Foto: Jornal de Angola)
A direção provincial do Kwanza-Norte da Reinserção Social vai, nos próximos dias, apoiar, com sementes diversas, 25 famílias de refugiados congoleses democráticos, mauritanos e zambianos, que vão desenvolver agricultura num campo de aproximadamente 250 hectares, a ser cedido pela direção local da Agricultara.
A iniciativa destes organismos do governo da província visa fundamentalmente diminuir as dificuldades que os mesmos têm vindo a enfrentar desde que chegaram a Angola, há mais de 30 anos.

De acordo com uma fonte da direção do Minars, anualmente os refugiados têm sido ajudados com bens diversos, como cobertores, alimentos, medicamentos e roupas usadas, instalados numa comunidade criada em 2000, localizada no bairro Camundai, arredores da cidade de Ndalatando.
Regresso ao país de origem fora dos planos de todos
O congolês democrata, Ipanga Katual, de 56 anos, disse que chegou a Angola em 1978, fugido da guerra no seu país e passou a residir na cidade do Sumbe, no Kwanza-Sul.
Em 1983, foi transferido, juntamente com os outros refugiados provenientes de outros países, para o município do Lucala, no Kwanza-Norte, onde começou a reconstituir a sua vida, com apoios do Minars, que os ajudava com bens de primeira necessidade. Depois das eleições e o reacender da guerra em 1992 em Angola, viu-se envolvido no conflito armado, ao lado dos seus irmãos angolanos. Uns anos mais tarde foi para a cidade de Ndalatando, onde passou a residir, primeiro num armazém abandonado, acompanhado por mais 112 cidadãos refugiados de distintos países.
No ano de 2000, depois de serem retirados do local onde residiam, viram-se obrigados a procurar outro espaço para viver. Ipanga Katual, como coordenador dos outros membros, construiu a sua casa no bairro da Camundai, atualmente conhecido como “comunidade dos refugiados”.  Atualmente é funcionário público, professor da escola nº 51 do bairro Tombo-Tombo, na localidade da Canhoca, e lecciona a 2º e a 3º classe. É casado com uma conterrânea, e pai de sete filhos, todos nascidos em Angola, e diz que não está nos seus planos voltar ao país de origem.
Mamã, Kamba Kati Marijene, como é carinhosamente tratada na comunidade, de 50 anos, proveniente do Congo Democrático, residente em Angola há 33 anos, exerce a função de parteira tradicional. Conta que também saiu do seu país por causa da guerra e chegou a Angola em 1977. Depois de alcançar Luanda, foi transferida para o Kwanza-Norte, onde reside, até hoje, com a família. A sua vontade era voltar ao seu país de origem, mas os filhos discordam e portanto vê-se obrigada a permanecer em Angola o resto da vida. O mauritano Mamaile Monte Chiela, de 63 anos, está em Angola há 36. Casado com uma angolana, tem uma família composta por nove filhos e é pedreiro.
 Questionado sobre a possibilidade de regressar ao seu país, Mamaile disse que a idade já não lhe permite fazer muito esforço. Refere que, caso fosse para a Mauritânia, teria de recomeçar a vida e, com o adiantar da idade, quase nada conseguiria, por isso ele e a família preferem continuar em terras angolanas.

Filed under: Notícias

Posted: 16 Aug 2010 06:47 AM PDT
Fonte: UOL
Renata Giraldi
Da Agência Brasil, em Brasília

Sakineh Mohammadi Ashtiani, acusada de adultério no Irã
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse ontem (15) que não vê necessidade de enviar para o Brasil a mulher condenada à morte por apedrejamento no seu país. Segundo ele, as autoridades do Judiciário iraniano também são contrárias à proposta brasileira. Em entrevista exclusiva à rede de televisão estatal, PressTV, Ahmadinejad afirmou que o assunto não deve “criar problema algum” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ofereceu asilo político à viúva acusada de adultério e posteriormente de assassinato.
“Acho que não há necessidade de criar problema algum para o presidente Lula e levá-la ao Brasil”, afirmou Ahmadinejad. “Estamos ansiosos para exportar a nossa tecnologia para o Brasil, não esse tipo de pessoas. Penso que o problema será resolvido em breve”, acrescentou ele.

A viúva Sakineh Ashtiani, de 43 anos, mãe de dois filhos, é acusada de adultério e assassinato do marido. Ela foi condenada por ter mantido relações sexuais com dois homens, depois da morte dele. Também há a acusação de assassinato. Ashtiani e a família negam as acusações. O caso gerou repercussão internacional e o presidente Lula propôs que a mulher fosse enviada para o Brasil.
Ahmadinejad disse ter conversado com as autoridades do Judiciário iraniano. Segundo ele, elas são independentes e assim atuarão em relação ao caso. “Existe uma justiça final e os juízes são independentes. Mas eu conversei com o chefe do Poder Judiciário e do sistema judiciário eles também não concordam [com a possibilidade de enviar a mulher para o Brasil]”, disse.
Na semana passada, em entrevista à Agência Brasil, o embaixador do Irã no Brasil, Mohsen Shaterzadeh, descartou o envio da viúva ao país. O diplomata negou que tenha ocorrido formalmente ao governo iraniano a oferta oficial de asilo ou refúgio político para a mulher por parte do Brasil.
Shaterzadeh reiterou que o assunto envolve apenas o seu país, pois a mulher condenada é iraniana, o que elimina a possibilidade de uma outra nação ser incluída no processo. Para o embaixador, o caso ganhou repercussão internacional porque há uma manipulação por meio da internet e da imprensa estrangeira para constranger o governo do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.
“Nós não recebemos de forma oficial pedido ou oferta alguma [de asilo ou refúgio político] para essa senhora ser enviada para o Brasil. Não houve ofício por escrito, nota oral ou troca de notas, como é a orientação na diplomacia em casos assim”, afirmou o embaixador. “Ocorreram crimes e serão julgados conforme o código do Irã que segue preceitos morais e culturais do país”, disse ele. “O processo envolve pessoas iranianas, por que deveria ter o envolvimento de outros países?”
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e o embaixador do Brasil no Irã, Antonio Salgado, confirmaram que houve um pedido oral formal ao governo iraniano para o envio da mulher ao território brasileiro. O caso provocou um mal-estar entre as diplomacias dos dois países. Informações de especialistas que acompanham o assunto indicam que a viúva teve a senteça de morte adiada por alguns dias em decorrência da repercussão internacional do assunto.