Leis severas de imigração podem aumentar tráfico de seres humanos
Posted: 24 Jan 2010 04:17 PM PST
Seguindo, paralelamente, a tendência de países como Suíça e França, o governo italiano vem endurecendo posturas e ações contra os imigrantes. No último dia 10, cerca de 1 mil imigrantes foram transferidos de suas casas e empregos, em Rosarno, na Calábria, para centros de refugiados ao redor da Itália.
Considerados ilegais pela gestão de Silvio Berlusconi, os imigrantes foram levados por causa de protestos nos quais reivindicavam legalizar sua situação e empregos garantidos pelo governo.
Mas, em meio a consequências da crise econômica, com escassez de empregos, o governo instaurou leis que complicam a renovação de documentos e a permanência deles no país.
A posição que a Itália vem tomando, para Deyse Ventura, do Instituto de Relações Internacionais da USP, reflete as políticas “fascistas” de Berlusconi. “A Itália, tolera, por exemplo, que membros da Liga Norte, cuja carta programática é essencialmente xenófoba e racista, organizem “patrulhas cidadãs”, lembra. A categoria citada foi criada pela nova legislação de imigração, em agosto de 2009, que permite a grupos de voluntários, avalizados pelas prefeituras, fazer rondas nas ruas das cidades para garantir a segurança pública.
Professor de direito internacional da UnB, Márcio Garcia, alerta para o fato de medidas como as tomadas pela Itália e por outros países da Europa estimulares a violência contra imigrantes e também o tráfico de pessoas.
“Quanto mais dificuldades encontram esses estrangeiros, mais se aproximam de pessoas que possam lhes ajudar, e aí começam a correr riscos de se tornar uma mercadoria no mercado negro de tráfico de pessoas e de trabalho escravo”.
Para Garcia, o envolvimento da máfia calabresa nos protestos pode ter relação. “Além do interesse de preservar a identidade europeia, podem estar querendo ganhar dinheiro com esses imigrantes que o governo não quer deixar entrar”, observa.
De acordo com estimativas da agência Reuters, há 8.000 imigrantes ilegais morando em fazendas sem luz e água em Rosarno. Os imigrantes, segundo grupos de direitos humanos, trabalham em colheitas de frutos e são explorados por organizações mafiosas como a Ndrangheta.
A especialista toma como exemplo as ações violentas do governo francês em Calais. “Elas visam espalhar terror entre os imigrantes ilegais e na população local”, explica. “No lugar de promover a integração social e combater as redes de trabalho escravo para as quais são recrutados os imigrantes ilegais, a escolha da Europa é, claramente, a criminalização da imigração indesejada”.
Quem organiza é o grupo Primo Marzo 2010: Sciopero degli Stranieri (Primeiro de Março 2010: greve dos estrangeiros) e tem como objetivo um protesto pacífico para mostrar a importância do trabalho dos estrangeiros para a sociedade.
No dia 20 de março, o movimento Blacks Out, marca o Dia Sem Imigrantes, que terá inicio a partir das 0h01. Os manifestantes fizeram um vídeo que retrata como seria um dia sem imigrantes no país.
Fonte: Band
Nigéria enterra centenas, enquanto inquietação se espalha pelo país
Posted: 23 Jan 2010 05:31 PM PST
A população de Jos enterrou seus mortos na sexta-feira, enquanto milhares de refugiados buscavam abrigo após o mais recente estouro de violência entre cristãos e muçulmanos, que muitos culpam pela pobreza e pelo governo fracassado tanto quanto pelo ódio religioso.
Casas incendiadas, uma pesada presença militar e enterros em massa atestavam o caos dos três dias de confrontos na cidade na região central da Nigéria, situada entre o norte principalmente muçulmano e o sul cristão e animista.
O número total de mortos não pode ser verificado, mas grupos de direitos humanos disseram que pelo menos 400 foram mortos nos confrontos do último fim de semana. Com a diminuição dos ataques, um toque de recolher de 24 horas foi parcialmente relaxado na sexta-feira, quando uma série de cadáveres levados à mesquita central elevou o total de pessoas enterradas lá desde domingo para 150, disse Lawal Ishaq, um líder muçulmano.
Goodluck Jonathan, o vice-presidente do maior produtor de energia da África, ordenou que as forças de segurança restaurassem a ordem. Mas a violência aumentou a inquietação nacional, com Jonathan no centro das disputas de poder que estão ocorrendo nos dois meses em que o presidente Umaru Yar’Adua se encontra incapacitado em um hospital saudita.
A Cruz Vermelha disse ter conhecimento de que pelo menos 160 pessoas de ambas as religiões foram mortas desde que os esforços de um homem muçulmano de reconstruir sua casa -destruída na violência de 2008 que matou centenas- levou a um bate-boca com jovens cristãos no domingo.
Os distúrbios se espalharam por toda a cidade e arredores. Milhares ficaram feridos, muitos por disparos de balas e golpes de facão.
Entre o que a Cruz Vermelha estima que sejam 18 mil pessoas forçadas a fugir de suas casas, havia um grupo de muçulmanos carregando tudo o que podiam para abrigá-los da noite fria em um Volkswagen superlotado.
Os 20 bloqueios de estrada do exército e da polícia entre Jos e Kano, a maior cidade no norte da Nigéria, testemunhavam os temores das autoridades de que a violência poderia se espalhar.
Mais de 13.500 pessoas morreram em distúrbios religiosos desde que os militares da Nigéria entregaram o poder para os civis em 1999, estima a Human Rights Watch.
Algumas das crises estiveram ligadas à decisão de 12 Estados do norte do país, dentre os 36 que compõem o sistema federativo da Nigéria, de introduzir uma lei Sharia parcial. Outra foi provocada pela proposta em 2002 de realizar o concurso Miss Universo na Nigéria.
Mas em Jos, onde 1.000 morreram em 2001, a religião é apenas um fator nas tensões. A economia florescente da Nigéria murchou, dando lugar a um clientelismo lubrificado pela receita do petróleo.
A volatilidade de Jos se deve em parte a migração de muçulmanos do norte, das tribos Hausa e Fulani, cuja presença alguns dos cristão berom -a designação dos habitantes naturais do Estado- ressentem. Políticos locais também são culpados de incitar o sentimento tribal em benefício próprio.
Fonte: 24 horas news

