Posted: 27 Jan 2011 03:26 PM PST
Fonte: Jornal de Angola
Administrador municipal de Chiluage fala dos projetos sociais em curso na região (Foto: João Salvo/ Chiluage)
A construção de novas escolas e duas casas geminadas na comunidade de
Chiluage, município de Muconda, vinca a prioridade nas estratégias
traçadas pelas autoridades locais, visando o aumento e melhoria da
oferta de serviços à população, através do Fundo de Gestão Municipal.
Maria Helena vive em Chiluage, a 190 quilômetros da cidade de
Saurimo. Regressou ao país há um ano na companhia de três filhos
menores, nascidos na República Democrática do Congo, onde viveu durante
25 anos, com os pais, falecidos há dois anos, vítimas da explosão de
uma mina.
Helena anseia regressar ao município de
Cacolo, sua terra natal, para se juntar a familiares dos seus pais: “
Desconheço os nomes dos meus parentes por ter saído de Angola com apenas
cinco anos, por causa da guerra”. Está registrando os filhos para
matriculá-los no sistema normal de ensino, onde vão aprender a língua
portuguesa: “não quero que sofram o mesmo que eu”, disse, limpando as
lágrimas.
A situação de Helena é apenas um exemplo de luta no grupo de 200
angolanos que regressaram à pátria depois de um longo período refugiados
na República Democrática do Congo, há um ano. Receberam da Direção
Provincial da Lunda-Sul da Assistência e Reinserção Social chapas de
zinco, colchões, cobertores, e utensílios de cozinha. E começaram a
construir as suas casas no bairro Caijila.
O administrador da comunidade do Chiluage, António Maxingo, disse à
nossa reportagem que a prática da agricultura ocupa o quotidiano dos
angolanos regressados. Também fazem criação de animais domésticos que
comercializam no mercado local. Onde a maioria dos clientes são
congoleses. António Maxingo disse que há boas relações entre as
populações e as autoridades de um e do outro lado da fronteira, o que
impulsionou as transações comerciais, facilitou o acesso de angolanos ao
sistema de educação e assistência médica na RDC. “Como existem laços
familiares a ida de cidadãos angolanos à busca desses serviços é
normal”.
Desafios de reconstrução
Os congoleses compram em Angola arroz, óleo alimentar, sabão, açúcar,
leite e vestuário, com os fundos obtidos da venda de bois, cabritos,
galinhas e peixe seco. Duas novas escolas com um total de seis salas e
duas casas geminadas nascem na sede da comunidade e na aldeia de Tambwe,
no quadro da expansão da rede escolar.
Na sua primeira digressão pelo interior da província, o
vice-governador provincial para a área técnica e infraestruturas,
António Jorge Teixeira, notou que há insuficiência de espaços para o
funcionamento da Administração Municipal, ausência de energia e água,
por avaria do grupo gerador.
O vice-governador da Lunda-Sul visitou uma área de 300 hectares
destinada à reserva fundiária programada para a construção de casas para
os angolanos regressados do Congo Democrático.
O governo provincial anunciou que a construção das casas começa já no
próximo mês de maio. “Vamos dar prioridade a equipamentos que mais
fazem falta nas áreas da Saúde, Educação, Defesa e Segurança e Energia e
Águas para ultrapassarmos o quadro atual”, disse António Jorge Teixeira
à nossa reportagem.
Estrada em mau estado
A degradação da estrada de 90 quilômetros que separa as comunidadess de Muriége e Chiluage, desencoraja a circulação.
A insistência de alguns utentes de viaturas na luta pelo pão quotidiano
representa uma “assinatura do sim ao risco”, para enfrentar uma via
cheia de desníveis acentuados, troços de areia, buracos e curvas
apertadas.
Derrapagens, atolamentos, desvios de rumo, poeira, trepidação
sujeitam condutores e passageiros, que habitualmente viajam na
carroçaria das viaturas de carga, correndo riscos de vida.
Calamidades naturais
As chuvas de dezembro último e deste mês de janeiro desalojaram 70
famílias, realojadas em casas de parentes. O apoio com chapas de zinco
dado pelo Ministério da Assistência e Reinserção Social incentiva os
sinistrados a reconstruírem, no tempo seco, as casas perdidas.
Situada a leste de Saurimo a Comunidade de Chiluage integra parte da
linha fronteiriça com a RDC, a sete quilômetros da sua sede. Tem uma
população calculada em 3.000 habitantes, que vive essencialmente da
agricultura de subsistência, criação de animais e prática de caça.
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