Roberto Abraham Scaruffi

Tuesday, 11 January 2011




Posted: 10 Jan 2011 03:46 PM PST

Carolina Montenegro
Colaboração para a Folha, em Juba (Sudão)

O referendo no Sudão provocou uma intensa movimentação nas fronteiras do país, cercado por nove nações africanas.
A principal força armada na região, o Exército de Libertação do Povo Sudanês (SPLA), disser ter assegurado o controle das fronteiras com Uganda, Quênia, República Democrática do Congo e República Centro-Africana.
Mas na fronteira entre Uganda e o Sudão, cruzada pela reportagem da Folha a bordo de um ônibus, um posto fronteiriço era parcamente guardado ontem pela manhã por três soldados e cercado por ambulantes, vendendo refrigerantes e salgadinhos.
“O número de ônibus que atravessam a fronteira por dia duplicou por causa do referendo, estamos mais atentos à segurança”, afirmou o oficial de imigração ugandense George Muwanga.
Segundo ele, a guarda nas fronteiras ficou mais criteriosa desde a explosão de uma bomba dentro de um ônibus que ia de Nairóbi (Quênia) para Campala (Uganda), em dezembro passado.
“Parece que desta vez vai correr tudo bem, esperamos eleições pacíficas.”

Alternativas
O fluxo em direção a Juba cresceu tanto às vésperas do referendo que muitos tiveram de buscar alternativas de transporte.

“Vim de ônibus de Nairóbi para Juba porque foi impossível comprar passagem de avião. Estava tudo lotado”, afirma Mary Kintu, que viajava com a irmã para votar. A viagem leva mais de 25 horas e custa cerca de R$ 84.

Os mais de 500 km são percorridos com dificuldades pela região de terra batida e terreno acentuado e arenoso.
Não há sinalização ou iluminação. O policiamento ocorre apenas nas áreas de fronteira.

No primeiro posto do lado sudanês já era possível notar o clima de eleições. Um jovem passava vestindo uma camiseta amerela com os dizeres “Vida longa para o SPLA!”.

Filed under: Notícias
Posted: 10 Jan 2011 02:13 PM PST
Fonte: ACNUR

Maria tem vivido no Centro de Berks desde setembro de 2010. Originária de Honduras, ela buscou proteção nos Estados Unidos após ter sofrido abuso familiar. (Foto: T. Irwin/ ACNUR)

Há poucos elementos internos ou externos que poderiam indicar que o Centro Familiar do Município de Berks, no interior da Pensilvânia, é um centro de detenção, o único desse tipo nos Estados Unidos. As mulheres se juntam pelos corredores, conversando e tricotando, enquanto seus filhos vão à escola nas salas de aula do centro. O tempo frio significa que ninguém está utilizando os extensos pátios ou suas mesas de piquenique.
A aparente calmaria do abrigo contrasta com os tumultos que muitos de seus residentes enfrentaram antes de chegarem lá. A história de cada pessoa é única, mas todos compartilham a experiência de terem sido detidos por autoridades imigratórias enquanto tentavam entrar nos Estados Unidos. Por ser o único centro de detenção familiar no país, os residentes de Berks foram enviados para lá desde lugares tão distantes como a fronteira mexicana.
“A maioria das famílias aqui estão buscando refúgio nos Estados Unidos”, disse Cammilla Wamsley, diretora da Unidade Residencial Familiar e Juvenil, da Agência de Imigração e Alfândega (ICE). “A maioria dos residentes estão habilitados a concluir o processo que os permitiria receber liberdade condicional dentro de 65 dias, embora possam continuar aqui por mais tempo caso não tenham aonde ir”.
Maria* e dois de seus filhos vieram para Berks em setembro depois que foram pegos, no começo do ano, tentando cruzar a fronteira do México com o Arizona, no sul dos Estados Unidos. Com 44 anos, sua história de abuso e exploração vem desde sua adolescência em Honduras, quando ela diz ter sido violentada por seu padrasto.
Ela fugiu de casa e acabou sendo vitimizada novamente por uma mulher que prometeu ajudá-la, mas que a obrigou a prostituir-se. Novamente ela escapou, se casou, teve seis filhos e agüentou anos de violência física por parte de seu marido. A polícia, de acordo com Maria, não quis ajudá-la.
Desesperada, pagou um traficante de pessoas para que ela e seus filhos menores entrassem nos Estados Unidos. Maria teme o que seu marido pode fazer caso seja deportada e por isso está pedindo proteção para ela e seus filhos.
“Nós estávamos em condições horríveis quando chegamos aqui”, disse. “Estou me sentindo melhor agora e as crianças estão estudando. Mas sempre fico pensando nos meus outros filhos e tenho esperanças de que um dia eles possam estar aqui comigo”.
O abrigo de Berks oferece serviços de apoio psicológico, e para muitos essa é a primeira oportunidade para falar sobre os abusos que sofreram ao longo de suas vidas. Além disso, a cada família é designada um tutor, empregado pelo município de Berks, que garante que as necessidades dos resides de acesso a serviços sociais básicos sejam atendidas durante o período de detenção.
O Centro de Imigração da Pensilvânia é uma organização sem fins lucrativos que disponibiliza uma sessão informativa mensal, em Berks, para ajudar os residentes a conhecer melhor os sistemas de imigração e refúgio “Se você irá deter solicitantes de refúgio, então Berks é um modelo a ser seguido”, afirmou a promotora pública, Elizabeth Yager.
Wamsley disse que o ICE estava “comprometido em avançar em formas mais civis de detenção para todos os detidos”, embora não existam planos imediatos de inaugurar outras instalações como as de Berks.
Enquanto seus casos são julgados, muitos solicitantes de refúgio nos Estados Unidos são mantidos em centros de detenção lado a lado com pessoas que enfrentam processos criminais ou imigratórios. Os dados mais recentes do Departamento de Segurança Nacional indicam que, no ano de 2008, aproximadamente nove mil dos 30 mil indivíduos em centros de detenções eram solicitantes de refúgio.
“O ACNUR acredita fortemente que a ampla maioria dos solicitantes de refúgio não deveria estar presa”, afirmou Vincent Cochetel, o representante regional do ACNUR para os Estados Unidos e o Caribe.
“Nas raras ocasiões em que se determina a detenção de um solicitante de refúgio, então as instalações de Berks incorpora as melhores práticas de um modelo de detenção civil para imigrantes”, disse, adicionando que a pequena escala e a não existência de um clima penal, faz do Centro um ambiente mais propício e humano para os solicitantes de refúgio – não só para famílias, mas também para adultos sozinhos.
“Nós encorajamos o ICE a fazer de Berks uma regra – e não uma exceção – na implementação dos outros centros de detenção ao redor do país”, remarcou Cochetel.
*Os nomes foram alterados por razões de segurança
Tim Irwin em Reading, Estados Unidos