Roberto Abraham Scaruffi

Thursday, 9 June 2011


Refugees United Brasil



Posted: 08 Jun 2011 02:28 PM PDT
Fonte: Rádio Nederland Wereldomroep Brasil
Por Myrtille van Bommel  
Foto: RNW
Eles são chamados de ilegais por não possuírem documentos válidos para permanecer em um país. O gabinete holandês quer converter a ilegalidade em delito. Mas quem são as pessoas que vivem dessa maneira? Na terceira parte da série sobre imigrantes ilegais na Holanda: Azad, do norte do Iraque.
Azad, que nos anos noventa trabalhava para o Partido Democrático Curdo, PDK, abandonou seu pais por temer vingança. Ele era responsável por facilitar a passagem dos comerciantes curdos na fronteira entre o Iraque do sul e do norte, para que não precisassem pagar ou passar por controles severos.
Ali encontrou um homem que lhe pediu ajuda para entrar com armas ilegais. Por ter desconfiado dele, Azad reportou aos seus superiores, que ordenaram que ele cooperasse. Com isso esperavam descobrir se as armas estavam destinadas a atividades terroristas.
Traição
Com a ajuda de Azad, as armas puderam cruzar a fronteira sem problemas. Mas algo deu errado. O serviço de inteligência prendeu os homens envolvidos na operação e descobriu que se tratava de um provedor de armas para uma facção dentro do PDK que tinha a intenção de cometer atentados. As famílias dos homens presos buscam vingança. Ao que parece, Azad era a única pessoa não envolvida, mas que sabia da transação. Sua vida já não estava mais segura.
“Tentei me esconder durante um tempo, mas isso se tornou impossível. Muitas pessoas do meu partido foram assassinadas. E eles eram dirigentes que andavam com guarda-costas. E eu era apenas um membro sem muita importância”, conta Azad. Ele conseguiu fugir para a Turquia. Com a ajuda de um traficante de pessoas, chegou a Roterdã escondido na carga de um caminhão, em julho de 1997.
Ajuda a refugiados
“Ali eu perguntei a todos que pareciam ser estrangeiros onde eu poderia obter ajuda. Não sabia que vivam tantos estrangeiros na Holanda”. Finalmente um marroquino o enviou para um escritório para refugiados.
Fora o curto período que permaneceu com um visto temporário de permanência e pôde viver em uma casa “de verdade”, Azad passou treze anos em diversos centros para requerentes de asilo. “Com o status de permanência temporária, tive a oportunidade de trabalhar e estudar.” Mas a sorte durou pouco. “Em um dado momento, todos os iraquianos do norte tiveram que devolver esse status. Somente se pensou na situação geral de segurança e não nos indivíduos.”
“Foi então tudo começou”, disse Azad, referindo-se ao serviço de imigração, IND, que passou a exercer pressão para que ele voltasse ao norte do Iraque. “Pedi asilo por muitas vezes, mas sempre me negaram.” Temendo o rumor de que a Holanda iria construir uma grande prisão para casos como o dele, Azad viajou para a Alemanha, que o enviou de volta para a Holanda, já que em virtude dos acordos entre os países membros da União Europeia, só se pode pedir asilo em um país.
Erro fatal
Depois Azad compreendeu que havia cometido um engano fatal, já que, se não tivesse tentado obter asilo na Alemanha possivelmente teria estado entre os candidatos para uma anistia.
Aqueles que houvessem pedido o asilo antes de 1 de abril de 2001 teriam direito a um visto de permanecência na Holanda. Mas Azad havia sido expulso. Sem a fundação que lhe ajuda, ele estaria vagando pelas ruas.
O norte do Iraque lhe dá medo. Os curdos que regressaram contam que é quase impossível construir uma vida se não tiver boas conexões ou sem subornar autoridades. Alguns de seus amigos chegaram cometeram suicídio por causa disso.
Depressão
Azad não pode contar com sua família. Eles temem que caso tenham de alimentar mais uma boca, preferem não assumir essa responsabilidade. Seu antigo empregador também não pode lhe servir de nada.
Azad, de 41 anos, sofre de depressão e de esquecimento. “Não peço muito, só um trabalho ou uma formação para que eu possa ter um futuro. Mas, com a minha idade, já é tarde para muitas coisas”.

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Posted: 08 Jun 2011 02:17 PM PDT
Fonte: ACNUR

A casa da menina Razan, de apenas cinco anos, foi destruída por um míssil. Agora ela vive em uma escola com seus pais, a irmã e a avó de 76 anos (Foto: H. Caux/ ACNUR)
Após meses de confrontos e sanções, aproximadamente 74 mil pessoas estão deslocadas nas zonas de conflito próximas à capital da Líbia, Trípoli, e correm o risco de ficar sem serviços e produtos essenciais.
Equipes do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) constataram essa realidade após participarem, na semana passada, de uma missão com outras agências da ONU que visitou os dois lados do conflito. Uma das missões foi a Trípoli e a locais de deslocamento nas áreas controladas pelo governo, como Zitan, Al Khums e Gharian. A outra visitou a cidade de Misrata, que é controlada pela oposição.
O governo líbio coordenou e acompanhou a equipe da ONU na visita a Zlitan, Al Khums e Gharian. As autoridades do país assumiram a responsabilidade de ajudar um número estimado de 49 mil pessoas deslocadas na região de Trípoli e Zlitan.
“As pessoas deslocadas que o ACNUR encontrou parecem enfrentar o problema, apesar da grave situação humanitária”, disse nesta terça-feira, em Genebra, o porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards. Ele disse ainda que a maior parte dos deslocados está em abrigos, dormitórios e casas à beira-mar, recebendo assistência do governo e de algumas instituições privadas de caridade.
“Mesmo assim, uma crise de assistência pode estar prestes a acontecer”, alertou o porta-voz. “Embora os armazéns estejam bem abastecidos com itens básicos de alimentação, é evidente que o impacto combinado de um conflito prolongado com as diversas sanções sofridas pelo país está minando a capacidade de o governo conseguir assistir a essas pessoas de forma eficaz”, afirmou Edwards. De acordo com ele, as missões da ONU que visitaram os locais de deslocamento acreditam que, se a situação atual persistir, a ajuda internacional será necessária em questão de semanas.
Na capital da Líbia, funcionários do ACNUR observaram um estresse cada vez maior entre a população que vive em meio ao conflito. Além disso, itens essenciais começam a ficar escassos e longas filas – uma chegou a medir 8,2 quilômetros – se formam nos postos de gasolina.
No outro lado da batalha, o Conselho Nacional de Transição de Misrata disse ao ACNUR que há aproximadamente 25 mil deslocados internos na cidade. A maior parte se abriga com parentes e famílias de acolhimento.
Algumas famílias abrigam até sete ou oito grupos de deslocados em suas casas, uma situação delicada pois o pagamento dos salários parou em janeiro e os bancos não estão funcionando. Outros líbios deslocados estão abrigados em escolas ou prédios desocupados. Novas opções de abrigo estão sendo estudadas pelo Comitê Líbio para Assistência Humanitária, empresas de engenharia e empresas locais.
Mohamed, de 37 anos, vivia com a esposa e duas filhas em Makasbi, um bairro de Misrata. Ele deixou sua casa em abril, logo após o local ser atingido duas vezes por mísseis. “Felizmente, nenhum de nós estava em casa na hora dos ataques”, disse Mohamed. “Fomos para Al Zaroog, que é uma vizinhança mais segura, só com alguns pertences. Ficamos na casa de uns amigos, mas eles já estavam abrigando outras sete famílias. Havia 35 pessoas na casa e apenas um banheiro para todo mundo. Era impossível continuarmos lá, as crianças brigavam sempre. Não havia espaço suficiente”, explicou.
O ACNUR continua levando assistência de Benghazi a Misrata por meio de parcerias locais e está pronto para ajudar na reconstrução de casas.
Aos poucos, a vida em Misrata volta ao normal. Com a retomada da eletricidade em algumas partes da cidade, o comércio local está reabrindo e jovens estão ajudando na limpeza das ruas. Mas o Conselho Nacional de Transição de Misrata informa que, entre outras necessidades humanitárias, a cidade já enfrenta escassez de alimentos e remédios.
Desde o início dos conflitos, os cinco hospitais de Misrata já relataram 630 mortes e seis mil feridos. Quatro quintos dos enfermeiros, a maioria estrangeiros, deixou a cidade logo no começo dos combates e foram progressivamente substituídos por estudantes de medicina.
Sybella Wilkes em Geneva, com a colaboração de Helene Caux em Misrata e Arafat Jamal em Zlitan

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Posted: 08 Jun 2011 02:12 PM PDT
Fonte: R7
Refugiados sírios caminham por acampamento montado pelo Crescente Vermelho turco no distrito de Yayladagi, a 2 km da fronteira com a Síria (Mustafa Ozer/ AFP)
Movimentação de tropas do Exército sírio fez cerca de 170 civis fugirem para a Turquia
A Turquia decidiu nesta quarta-feira (8) manter aberta a fronteira com a Síria para abrigar refugiados da violência contra civis imposta pelo regime do presidente Bashar al Assad. O país pediu que o governo sírio diminua a repressão contra os protestos que desde março pedem reformas democráticas, depois que milhares de pessoas abandonaram uma cidade próxima da fronteira turca por temer uma ofensiva militar.
O governo sírio acusa bandos armados de matar homens das forças de segurança na cidade de Jisr al Shughour, próxima à fronteira com a Turquia, e prometeu enviar o Exército para executar a sua “obrigação nacional de restaurar a segurança” na região. Tropas e tanques de guerra se movimentaram para perto da cidade, levando muitos de seus 50 mil habitantes a fugir.
O primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, disse que “está fora de questão” a ideia de impedir a passagem de civis que fogem da violência na Síria fechando as fronteiras do país.
Erdogan, que por muito tempo tentou estreitar as relações entre os dois países, criticou nesta quarta-feira a violência com que o governo de Assad vem reprimindo as manifestações civis contra o regime.
- Estamos monitorando os acontecimentos na Síria com preocupação. A Síria deve mudar sua relação com os civis e agir de forma mais tolerante.
Cerca de 170 civis cruzaram a fronteira com a Turquia
Cerca de 170 sírios atravessaram a fronteira para a Turquia na terça-feira (7), informou a agência de notícias estatal turca. Alguns feridos foram levados a hospitais. Segundo os civis, a maioria dos que fugiram da cidade permanece em vilarejos dentro da Síria.
Jornalistas da agência de notícias Reuters na Turquia viram barracas no lado sírio da fronteira, enquanto moradores do lado turco da fronteira afirmaram ter visto tropas do Exército local e ambulâncias resgatarem sírios que acabavam de cruzar a divisa.
Movimentação de tropas do Exército sírio preocupa países
Os governos de França e Reino Unido também preparam uma nova resolução no Conselho de Segurança da ONU para tentar condenar Assad, embora não pareça estar na pauta uma intervenção militar como acontece atualmente na Líbia.
A movimentação de tropas das Forças Armadas para a região aumentou o temor de que a violência no país possa ganhar proporções ainda maiores. Segundo o governo sírio, mais de 120 homens das forças de segurança foram mortos no que ativistas anti-Assad dizem ter sido uma briga entre os próprios soldados.
Grupos defensores dos direitos humanos afirmam que mais de 1.100 civis morreram desde março nos protestos contra o regime, cuja família Assad está no poder há 41 anos.
Em Jisr al Shughour, a população ainda lembra de um assassinato em massa ocorrido em 1980, durante uma revolta contra o governo do pai de Assad, Hafez. O episódio foi o estopim de uma revolta islâmica armada na cidade de Hama, no noroeste do país, onde a repressão do governo deixou pelo menos 10 mil mortos em 1982.

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