Posted: 11 Feb 2011 12:56 PM PST
Fonte: CACB
Comunidade Ango-Congolesa no Brasil (CACB) participa de projeto que fornece uma alimentação mais saudável para os seus membros
Por Patrícia Serrão*
Toda sexta-feira é um dia de felicidade na sede da CACB, pois seus
associados, refugiados e imigrantes angolanos e congoleses, sabem que
podem retirar na sede da associação frutas, verduras e ocasionalmente
peixes, para complementar sua alimentação diária.
“Todos os refugiados “ango-congoleses” e os associados da CACB estão
muito felizes porque este projeto mostra para eles que tudo que
esperamos durante quatro anos está começando a se realizar”, diz
Lubadikadio Muanza, presidente da CACB.
Os alimentos chegam aos refugiados
através de um programa do governo Federal que compra os produtos de
pequenos produtores e repassa a comunidades necessitadas. O programa de
aquisição de alimentos da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB)
funciona de forma simples e eficaz: o governo compra diretamente dos
produtores associados à UNACOOP (União das associações e cooperativas de
pequenos produtores rurais do estado do Rio de Janeiro) e repassa os
produtos para as comunidades previamente cadastradas.
“É uma relação em que todos ganham; tanto os pequenos produtores
quanto as comunidades. Quanto mais comunidades cadastradas, mais
alimentos são comprados. Isto é bom porque o pequeno produtor tem a
certeza do escoamento da produção”, explica Margarete Teixeira, gerente
geral da UNACOOP. Só no ano de 2010 foram fornecidos 1.300.000 quilos de
hortifrutigranjeiros vindos de 460 agricultores e pescadores,
cadastrados em 71 municípios do Estado.
A distribuição dos alimentos é feita pela CACB que tem a
responsabilidade de recolher os produtos no CEASA (Centrais de
Abastecimento do Rio de Janeiro) e distribuí-los aos seus associados.
“Os alimentos chegam a nossa sede e como todos já sabem do programa
porque já fizemos a comunicação do projeto vêm logo buscar os alimentos.
A distribuição começa na sexta-feira mesmo e vai até domingo”, conta o
presidente da CACB.
Uma vantagem deste programa é a melhora na alimentação dos refugiados
e imigrantes, além de uma real economia no curto orçamento doméstico.
“Este projeto ajudou a mudar nossos hábitos, comemos mais
frutas, etc.”, diz Alfred Akuala, um dos beneficiados. “Agora eu tenho
um dinheiro extra no bolso. Esta é uma ajuda a mais
e eu posso economizar dinheiro para fazer outra coisa”, complementa.
A maior preocupação da CACB agora, para a continuidade deste projeto,
é conseguir uma Kombi ou outro veículo com capacidade para o transporte
dos alimentos da CEASA até a sua sede. Atualmente o transporte é feito
por um amigo da associação e o custo do combustível é rateado entre os
associados. “Estamos procurando parceiros para nos ajudar com isto”,
explica preocupado Alfred, secretário geral da CACB.
* Patrícia Serrão é jornalista com especialização em jornalismo cultural e experiência em pesquisas com refugiados.

